quarta-feira, 16 de maio de 2007

Prazer, Henry.

Conheci um cara interessante.
O nome dele é Henry Chinaski, mora nos Estados Unidos, mas é alemão. Pareceu-me meio amargurado. Me tratou mal, nem sequer olhou nos meus olhos. Talvez ele tenha vergonha da sua aparência, o corpo é atraente, mas o rosto é cheio de cicatrizes. Existe uma história triste por trás daquelas marcas horrendas que desfiguram o seu rosto, mas ele não fala nada a respeito, pelo menos não pra mim.

Ele não tem trabalho fixo, nem família. Vive a cada segundo, sempre porre. Não acabou a universidade, mas sabe demais a respeito do mundo. Fiquei sabendo que é escritor. Um maldito escritor. Parece não ter amigos, só gosta da embriaguez e das palavras. Olha ao redor com desprezo, ele só pode odiar a humanidade e tudo que ela expele. Pura merda, ele diria.

O Henry pode ser gay, sei lá. Dizem que não gosta de se aproximar das mulheres, mas tem fama de durão. E não existe gay durão, ou existe? Deve ser por causa das cicatrizes... Mas porque ele não pega uma puta? Por mais horrível que ele seja, uma puta pouco se importaria. E ele tem um charme, não sei dizer, acho que é sua excentricidade, tão impulsivo e desprezível, que dá até um tesão.

Ele entende. Não suporta a idéia de viver em sociedade, porque sabe que só querem usá-lo. Ele vive no submundo e vai viver lá pra sempre. Ele é imortal.
Quer conhecê-lo? Leia Misto-quente, de Bukowski.

4 comentários:

Alice Callins disse...

Henry Chinaski (Matt Dillon) vive se empregando e sendo demitido de uma série de subempregos, que encontra para tentar bancar sua vida de bebedeiras, apostas em cavalos, mulheres e, principalmente, de escrever livros que nunca serão publicados.
http://adorocinema.cidadeinternet.com.br/filmes/factotum/factotum.asp#Sinopse

Tens que assistir, é muito bom!
Adorei o blog!
Bj

Paulozab disse...

Essa da Alice foi foda! ;)

argh, lemòn disse...

um dos melhores, ou o melhor livro do BUK. Depois dele é de bom ALVITRE examinar a obra de John Fante.

Anônimo disse...

gostei dos textos, tem uma relação com nossa realidade amapaense concorda? muitas idéias na mente, mas um cenário muito calmo q as vezes não combina. é o jeito beber e fumar como o personagem.....
somos todos marionetes mesmo!!
(adnoel) beijo.